Dezembro 2007

DOMINGO, 12

19h00

RECITAL

Cantigas de embalar da tradição popular portuguesa,

por elementos do grupo polifónico feminino

CRAMOL

 

 

Um grupo de mulheres canta, muitas das vezes em círculo, polifonias tradicionalmente reservadas ao seu género. Estas mulheres, que partilham a mesma origem urbana, mas que têm profissões e idades muito diversificadas, procuram no seu interior o timbre e a disposição que nasce com cada útero.
Esse timbre, por vezes estranho, por vezes estridente, toma diferentes formas não só consoante as regiões do país, mas também conforme a situação em que a canção é evocada, aquilo que conta ou de quem lhe dá voz. Trata-se de uma pesquisa íntima para cada uma destas mulheres, tomada como uma aventura - a aventura de descobrir a essência e a força da sua feminilidade.
É afinal uma outra forma de embalar um filho, de se dizer que se está feliz, que se está em sofrimento, que se está apaixonada. O grande desafio é, mais do que reproduzir fielmente os cantos tradicionais de mulheres, enfrentar uma nova disponibilidade da voz e do corpo, recriando uma temporalidade que se julgou perdida nas sociedades de hoje.

Numa busca permanente de sons ancestrais e das suas sonoridades atávicas, um grupo de mulheres junta-se, em 1979, para fruir e aprofundar, em conjunto, o canto tradicional no feminino, um dos mais ricos patrimónios da música rural “a capella”.  Entrecruzando em canto o sagrado e o profano, o ciclo da vida, o ciclo da natureza e o ciclo religioso, o Cramol procura dar a conhecer a quinta-essência do canto da mulher rural no seu quotidiano.

A aventura começou num atelier em Oeiras no seio da associação cultural Biblioteca Operária Oeirense (1933). Aí, um grupo de jovens mulheres decide aprender e reencontrar um canto primevo de muitas sonoridades. As apresentações públicas tornaram premente a formação de um grupo autónomo e de nome próprio. Assim nasce o Cramol.

Concertos e espectáculos: centenas por todo o País e no estrangeiro (Londres (Inglaterra), Frankfurt (Alemanha), Rennes (França), Barcelona e o mítico Théâtre de la Ville em Paris (1986).

Rádio: WDR (Alemenha), Radio France Internationale, France Culture (emissão especial de 7 horas), Universidade de Viena (Áustria), Malawi (com Donald Kachamba – música kwela) e Antena 2.

Teatro: as vozes do Cramol fizeram-se ouvir em peças do Teatro A Comuna (A Pécora de Natália Correia, 1983), do Teatro Ibérico (A Celestina de Fernando Rojas), do Teatro O Bando (OS Bichos e Pino do Verão-Oeiras).

Cinema; “Morte Macaca” de Jeanne Waltz. Dança: participação ao vivo na coreografia do francês Jean-Jacques Sanchez (Compagnie Lazza).

O palco foi partilhado com gente como: Urban Sax (França), Donald Kachamba (Malawi), Uxia (Galiza), Júlio Pereira, Duplex Longa, José Mário Branco, Sons da Lusofonia, Amélia Muge, Moçoilas, Danças Ocultas, Camané, Segue-me à capella e Gaiteiros de Lisboa, entre outros.

Discografia: Voyage Musical – Portugal (Sílex, Auvidis, 1994); Voix de Femmes au Portugal (Auvidis, 1995), Cramol (BMG, 1996), Vozes de Nós (Ocarina, 2007). Participações nos discos: Júlio Pereira (A Braguesa, 1983); José Afonso (Galinhas do Mato, 1985); Pedro Barroso (Do lado de cá de mim, 1983), Sons da Lusofonia (Valentim de Carvalho, 1998); Cantigas de Amigos (Sony Music Entertainment, 1999) Raízes e tradições (MVM, 1998) Hino da Expo 98; Amélia Muge (A Monte, 2002- participação virtual).