ANTÓNIO FERRA

(ed. Fabula Urbis)

Sinopse:


Tanto verso, às vezes curto, a euro e meio,
tanta sílaba dividida pelos cêntimos!
Vendem os poetas versos livres
ou as métricas saídas do paleio
onde se finge a dor que não se sente.

A poesia é caríssima

 

A imagem da capa (Nicolau Tolentino de Almeida) propõe ao leitor a sátira ao tempo e à cidade, seus tipos e seus poetas, seus sem-abrigo e vagabundos atentos aos negócios públicos: «Fecham maternidades / e só ficam pizarias / com site na internet / fecham as lojas de bairro / cortam o burgo às fatias / tirando como quem mete». A cidade deste livro faz promoções («Compre agora / que está em promoção / compare os preços / e não perca a ocasião / de mudar a sua vida»), obriga o cidadão a tirar senhas («Tire uma senha / aguarde a sua vez / e fique na fila de espera»), obriga-o a moderar atitudes («Não seja rico nem pobre / coma pouco mas refreie o seu fastio») e também o obriga a aceitar o tempo atmosférico: «Este tempo é uma vergonha / tanto chove num retiro / como a noite engana o sol / disfarçada de vampiro». Na cidade dos peraltas, das góticas e das tatuagens, onde a poesia é caríssima («Ainda ontem tomei um copo de leite / e uma bola de Berlim, qual Belarmino na ressaca») o poeta afirma uma certeza («andamos todos a ler-nos uns aos outros») antes de sugerir o livro de reclamações: «Tens a porta aberta, alma de cigano / aerofagia, silêncios, depressões? / protesta a tua insanidade amarga / no livro de reclamações / que ninguém lê, pois se banalizaram os gemidos / as folhas soltas, a identificação dos pruridos / e das gralhas não revistas por má-fé».

                                                                                                                                                                                                                     José do Carmo Francisco

 

António Ferra nasceu no Porto em 1947 e vive em Lisboa. Para além da docência no ensino secundário, fez formação de professores e de profissionais de saúde na área da animação comunitária, dramaterapia/expressão dramática e da dinâmica de grupos e análise organizacional. Foi leitor em Cardiff, na Universidade do País de Gales, e formador de professores na República da Guiné Bissau, donde nasceu um livro.

É artista plástico e escritor, tendo publicações em diversas áreas, nomeadamente a pedagogia e a literatura infantil, com relevo para o teatro, em que é autor premiado (Caleidoscópio, 1980 ).

Desde muito jovem esteve ligado ao jornalismo, tendo publicações dispersas por vários jornais e revistas, nomeadamente “O Jornal da Educação”, desde o início até à sua extinção como publicação autónoma.
Tem vindo a cultivar um estilo diarístico e de reflexão num work in progress que dá pelo nome de “O funcionamento de certas coisas” http://funcionamento.blogspot.com/

Obras Publicadas:

Teatro e contos para a infância e juventude:
Zé Pimpão, João Mandão e os Sapatos Feitos à Mão  - 1978 (esgotado)
A Canção de Começar – 1979 teatro (esgotado)
Caleidoscópio - (Prémio de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura) 1980 teatro (esgotado)
Histórias E Teatrada Com Alguma Bicharada  – 1994, teatro
O Anjo e o Gato e outras Histórias  -2005

Pedagogia:

Pedagogia Centrada Na Pessoa  (duas edições, 1981, 1992)
Aprendizagem e Mudança  - 1984
Anima- Pedagogia e Animação Comunitária  - 1992
A Casa-Mãe  - Romance Pedagógico - 1998

Poesia e Pintura:

Norte (abrir) - 1986, plaquette (fora de mercado)
O Desemprego dos Dias  - 2005, palquette (fora de mercado)

Poesia:

Com a cidade no Corpo  -2002
A Palavra Passe  - 2006

Ficção:

Crónica dos Novos Feitos da Guiné  – 1996
O Vermelho e o Negro  - 2004
Olhar o Silêncio  - 2005
Água e Fogo  - 2006
Silêncios Comprados - 2007
Estação Suspensa - 2009

Participações:

Nas Antologias de poesia da D .Quixote: “Ao Porto” , “Encantada Coimbra” e “Algarve Todo o Mar”
Na colectânea de Contos “O Homem em Trânsito” da editora Indícios de Oiro
Na Antologia de Poesia "Os Dias do Amor" da editora Ministério dos Livros
Na Revista de Poesia "Saudade"

Referências:

Dicionário de Literatura Infantil Portuguesa, António Garcia Barreto – Campo das Letras, 2002
O Teatro Para Crianças em Portugal, Glória Bastos, Caminho, 2006

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