Junho 2007

 

QUINTA-FEIRA, 28

21h30

MARIA ANTÓNIA OLIVEIRA

apresenta o livro

Alexandre O´Neill – Uma Biografia Literária

(Dom Quixote, 2007)

em diálogo com

FERNANDO PINTO DO AMARAL

MARIA ANTÓNIA OLIVEIRA nasceu em 1964, em Viseu.
Obteve o prémio de Revelação Ensaio da APE/IPLL de 1990 com A Tristeza Contentinha de Alexandre O'Neill (Caminho, 1992).
É co-responsável pela edição da obra de Alexandre O'Neill na Assírio & Alvim. Estão já editados os livros Uma Coisa em Forma de Assim e Anos 70 – Poemas Dispersos. Em preparação está o volume de prosas Já Cá Não Está Quem Falou.
Bolseira de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, elabora uma tese sobre as biografias de Camilo Castelo Branco, na Universidade Nova de Lisboa.

FERNANDO PINTO DO AMARAL nasceu em Lisboa em 1960, frequentou a Faculdade de Medicina, mas abandonou o curso por falta de vocação, vindo a licenciar-se em Línguas e Literaturas Modernas, concluindo o Mestrado e o Doutoramento em Literatura Portuguesa. É Professor do Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras de Lisboa.
Publicou cinco livros de poesia Acédia, Assírio & Alvim, 1990; A Escada de Jacob, Assírio & Alvim, 1993; Às Cegas, Relógio d’ Água, 1997; Poesia Reunida: 1990/2000 (incluindo o inédito A Cinza do Último  Cigarro), Dom Quixote, 2000, e Pena Suspensa, Dom Quixote, 2004 –  e dois volumes de ensaio literário – O Mosaico Fluido, Assírio & Alvim, 1991 (Prémio de ensaio do PEN-Clube); Na Órbita de Saturno, 1992. Traduziu integralmente As Flores do Mal, de Baudelaire (Grande Prémio de Tradução do PEN-clube e APT, 1992 / 93), bem como os Poemas Saturnianos de Verlaine e toda a poesia de Jorge Luis Borges, na íntegra (incluída na edição das Obras Completas, 1998/99), que lhe valeu em 1999 o Prémio da Academia Europeia de Poesia. Organizou e prefaciou, entre outras, as edições da Obra Poética de Ruy Cinatti (IN/CM, 1992) e da poesia completa de Tomaz Kim (IN / CM, 2001), Antero de Quental (Dom Quixote, 2001), Luís Miguel Nava (Dom Quixote, 2002) e António Manuel Couto Viana (IN / CM, 2004). Alguns dos seus poemas estão traduzidos e publicados em antologias e revistas em espanhol, francês, inglês, alemão, neerlandês, russo, búlgaro, checo, turco, hebraico e chinês.
Fernando Pinto do Amaral foi comissário da exposição 100 Livros do Século (CCB, Março/Maio de 1998), integrada no Festival dos 100 Dias (Expo/98), tendo igualmente comissariado as presenças portuguesas na Feira do Livro de Frankfurt em 1998 e 1999, bem como no Salão do Livro de Genebra em 2001 e na LIBER – Feira do Livro de Barcelona em 2002. Publicou ainda o álbum 100 Livros Portugueses do Século XX (Instituto Camões, 2002) e o livro para crianças Aventura no Game Boy (Texto Ed., 2004). 
Pertence à direcção da Fundação Luís Miguel Nava e ao Conselho Editorial da revista Relâmpago. Estreou-se na ficção narrativa em 2006 com a publicação do volume de contos Área de Serviço e Outras Histórias de Amor (Dom Quixote, 2006).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ALEXANDRE O'NEILL nasceu em 1924, em Lisboa. Participou na criação do Grupo Surrealista de Lisboa em 1947. Editou em 1958 o livro de poesia No Reino da Dinamarca, onde incluiu o poema que o tornou célebre, “Um Adeus Português”. Escreveu também pequenas prosas e letras para fados. Traduziu e organizou antologias. Assinou colunas em jornais e colaborou em revistas. Escreveu para teatro, cinema e televisão. Viveu do seu trabalho como copy de publicidade. Morreu a 21 de Agosto de 1986, em Lisboa.

Sobre Alexandre O´Neill – Uma Biografia Literária (Dom Quixote, 2007):
Alexandre O’Neill escreveu duas séries de poemas que intitulou “Para Uma Roda de Amigos” e “Amigos Pensados”. É a eles que este livro dá voz – é o poeta, desta vez, o Amigo Pensado.
Para tentar reconstituir a vida e a personalidade de Alexandre O’Neill, recorri não só aos habituais documentos biográficos escritos, como ao testemunho oral dos muitos amigos do poeta que se dispuseram a lembrá-lo e a falar dele. Despertar a memória não é coisa fácil, e senti muitas vezes que o prazer de recordar  – o Alexandre O’Neill e o passado – se misturava com algum incómodo, ou alguma dor.  
O trabalho de biógrafo supõe uma entrega total, não só a outra pessoa, como a outra época. É talvez esse o seu maior atractivo. Vive-se muito tempo no universo do biografado, de tal modo que o próprio presente se transforma, e às vezes é difícil distinguir os tempos. Foi também importante para a minha narrativa observar os locais do mundo por onde ele passeou o olhar. Tentei seguir os seus passos por Lisboa e olhá-la através dos seus óculos. Tive a sorte de viver em pleno bairro do Príncipe Real, onde ele morou grande parte da sua vida, o que me permitiu viver num estado permanente de fantasmagoria que cruzava passado e presente. Interessou-me ainda ressuscitar uma época, e por isso foi uma opção clara desde o início utilizar o máximo possível do discurso directo das pessoas que depuseram, em vez de as parafrasear. Não quis subsumir no meu o discurso de pessoas cujas palavras eram, elas próprias, muito reveladoras de uma certa época – e que eram, afinal, também personagens da biografia.
Este livro é, finalmente, um encontro de duas subjectividades passado para a escrita – uma biografia é um livro, não uma vida real.