CINQUENTA ANOS SEM HEITOR VILLA- LOBOS
A proposta deste projecto é exaltar, neste ano de 2009, a passagem dos cinquenta anos da morte de Villa-Lobos (1887-1959), um dos compositores mais marcantes da música brasileira do Século XX. Serão apresentadas algumas das suas obras mais representativas para guitarra e piano, dois dos seus mais expressivos meios de criação musical.
A história da música brasileira, apesar de curta, se comparada com a de alguns países europeus, é rica e variada, diferenciando-se pela influência da música africana, do legado dos cantos religiosos trazidos pelos jesuítas e, sobretudo, das tradições indígenas, onde a música tinha um papel importante.
Em finais do século XIX as ideias nacionalistas começam a surgir no meio musical brasileiro e fazem surgir músicas com raízes fincadas na terra, relacionadas com o povo.
Villa-Lobos trilhou o caminho já aberto por outros compositores brasileiros, como Alberto Nepomuceno (1864- 1920) – primeiro compositor brasileiro a escrever um concerto para guitarra (mais conhecida como violão no Brasil) em 1908. Mais tarde, a guitarra tornou-se um foco de interesse para Villa-Lobos, que marcou a literatura para este instrumento, não só pela beleza de suas composições, mas também pelo desenvolvimento da escrita, e das capacidades técnicas e sonoras da guitarra.
Muitas das obras de Villa-Lobos incluem elementos da cultura popular brasileira. Isto deve-se ao facto dele ter percorrido o país em busca de conhecimento e inspiração, absorvendo o folclore e criando uma miscigenação musical. Em grande parte das suas composições para piano é notável este tipo de resultado através da sua forma peculiar e ousada de tratar a instrumentação, por vezes orquestral e percussiva.
Considerando a música como parte da cultura de um país, Villa-Lobos, enquanto pedagogo, implementou o plano de Educação Musical no Brasil nas décadas de 1930 e 1940, tornando obrigatório o ensino da música e canto orfeónico, em todas as escolas públicas. Para isso, Villa-Lobos seleccionou material que servisse de base para o novo e importante trabalho e, como não podia deixar de ser, o folclore serviu de matéria prima. Deste trabalho resultou uma excelente obra didáctica chamada Guia Prático destinada a dar às crianças um conhecimento íntimo do folclore brasileiro e das suas mais importantes manifestações.
Villa-Lobos, personalidade forte, temperamento turbulento, transpôs para sua música a força e inquietação que assolavam o seu espírito, escrevendo o que lhe vinha na alma. Apesar de ter sido amado por uns e odiado por outros é, sem dúvida, o compositor brasileiro com maior projecção mundial.
A escolha das peças para este concerto propõe um certo saudosismo, revisitando algumas das obras mais conhecidas de Villa-Lobos.
5 Prelúdios para guitara - Cinco obras para guitarra solo, “representando a paixão de Villa-Lobos por esse instrumento e exprimindo os sentimentos profundamente brasileiros” ( Turíbio Santos)
As Três Marias – Alnitah
............................Alnilam
............................Mintika
Composta em 1939 para piano, representa as estrelas da Constelação de Órion.
Valsa da dor – Obra de 1932, ao estilo de valsa de salão; inspira-se nos compositores do final do século XIX.
Alma Brasileira – Choros nº 5, uma das mais conhecidas partituras para piano solo. Faz parte dos Choros, série de obras escritas entre 1920 e 1928, inspiradas inicialmente nos Chorões do Rio de Janeiro e que assumem pouco a pouco crescente complexidade.
Impressões Seresteiras - esta obra faz parte do Ciclo Brasileiro, colecção de quatro peças para piano (1936). Revelam um estilo maduro de Villa-Lobos, resultando em obras com uma escrita pianística de alta eficácia.
Fantasia Concertante - A obra foi escrita em 1951 a pedido de Andrés Segóvia. Originalmente apresentada com este nome devido à intenção de ser uma obra de carácter camerístico, viu-o mudado posteriormente para Concerto para Guitarra e Orquestra, devido à inserção de uma cadência exigida pelo guitarrista. Um trabalho nitidamente lírico.
Tendo em conta que a redução para piano e guitarra deste concerto foi realizada pelo próprio compositor, a obra foi seleccionada para terminar o programa em duo. |
Duarte Lamas (guitarra)
Tendo iniciado os seus estudos musicais na Academia de Amadores de Música de Lisboa em guitarra clássica, Duarte Lamas de Oliveira terminou a licenciatura em música, vertente de instrumento, no Instituto Piaget, sob orientação do prestigiado músico dr. Dejan Ivanovic, tendo obtido 20 valores no seu recital de licenciatura.
Frequentou masterclasses de guitarra com Costas Cotsiolis, Joaquin Clerch, Carlo Marchione, Marco Socias, Michalis Kontaxakis, entre muitos outros. Na área do Jazz e da Composição para Guitarra realizou diversos workshops, nomeadamente com Pedro Moreira e Carlo Domeniconi.Efectuou recitais a solo e com diversos agrupamentos em vários espaços da Grande Lisboa e fora desta, entre eles no Centro Cultural de Belém, Teatro de S. Luís, Fórum Romeu Correia, Museu da Música, Casa da América Latina, Fábrica Braço de Prata e Cine-Teatro Paraíso. Em 2008 participou nos concertos abertos da Antena 2 com o Duo Siciliane (guitarra e flauta), na Casa da América Latina. Em 2009 foi convidado para realizar um recital no prestigiado Festival Internacional de Saxofone de Palmela com o Duo Sellium.
Como docente já deu aulas de formação musical, guitarra clássica e música de conjunto nas escolas: Canto-Firme de Tomar, C.A.O.R.G. de Minde e Conservatório Silva Marques em Alhandra. No ano de 2009 iniciará a sua actividade de docente na Fundação Musical dos Amigos das Crianças em Lisboa. |
Gláucia Leal (Piano)
De nacionalidade brasileira, reside em Portugal desde 1986. No Brasil licenciou-se em Artes Plásticas pela Universidade Santa Cecília de Santos, concluiu o curso complementar de Piano no Conservatório Lavignac e posteriormente aperfeiçoou seus estudos pianísticos com Isolda Bassi Bruch em São Paulo.
Realizou concertos a solo e música de câmara merecendo atenção do compositor e crítico Gilberto Mendes . Como docente participou de acções de formação pedagógica a nível da Educação Musical , foi Professora de Piano no Conservatório Lavignac , de Iniciação Musical na Escola Santa Cecília e Assistente de Práticas Instrumentais na Faculdade de Música de Santos.
Em Portugal, teve aulas com Olga Prats, Alain Jacquon , Tania Achot e Wladimir Viardo ( Master Class).
Em 1999 concluiu a Licenciatura em Piano pela Escola Superior de Música de Lisboa nas classes de Jorge Moyano (Piano) e Olga Prats (Música de Câmara). No mesmo ano participou do projecto Pós-Graduação em Música de Câmara sob a orientação de Stephen Tran Ngoc.
Como pianista, ilustrou o Seminário de Música Contemporânea realizado em 1987 na Sociedade Portuguesa de Autores com o 3º Ciclo Nordestino de Marlos Nobre. Actuou em concerto oferecido à Embaixada Brasileira em homenagem ao Centenário de Nascimento de Heitor Villa Lobos , II Temporada de Música de Vila Franca de Xira e nos concertos à hora do almoço na Fundação Gulbenkian.
Fez parte do Septeto de Stravinsky na Gala do 3º Congresso do Ensino Superior Politécnico em Oeiras no ano de 1998.
Desde 2005 é pianista do DUOTONALIS, duo com a flautista Sílvia Sobral, onde têm realizado vários concertos destacando-se "Meu Caro Lopes-Graça..." e "Origens- Das Modinhas Imperiais ao Século XX".
De 2001 a 2006 foi membro do Júri do Concurso Lopes-Graça - Disciplina de Piano realizado na cidade de Tomar.
Desde 1996 ministra aulas de piano na Escola de Musica Canto Firme de Tomar, onde fez parte da Direcção Pedagógica no ano lectivo de 2001-02.
Actualmente também é professora de piano no Conservatório de Música Choral Phydellius em Torres Novas.
Continua como mentora e colaboradora de vários projectos dedicados à divulgação da Música Brasileira e Portuguesa. |